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terça-feira, 18 de agosto de 2015

John Wesley e a Doutrina da Perfeição Cristã

Antes de tudo, gostaria de salientar que é necessário, para uma melhor compreensão da perfeição cristã, no entendimento de John Wesley ler os sermões 40 (Perfeição Cristã), 41 (Os Pensamentos Errantes) e o livro Explicação Clara da Perfeição Cristã. Todos os e-books gratuitos estão no site da Metodista de Vila Isabel.

Sobre a doutrina, Wesley menciona o que não significa perfeição cristã. Não significa que se possa ficar isento de ignorância, ou seja, a pessoa perfeita não conhecerá os desígnios de Deus por completo. Isso não se dará. Não significa que conhecerá o Senhor perfeitamente e que saberá de detalhes quanto à Sua vinda e afins. Perfeição, conforme esta doutrina, não implica em impecabilidade, mas sim, como será mostrado, que o pecado voluntário não faz parte do nascido de novo que alcançou a perfeição.

O erro se faz presente na pessoa perfeita (por mais que pareça contraditório). Wesley cita que "conhecemos em parte" (1 Co 13:9), logo, podemos errar na outra parte que não conhecemos. Wesley assevera: "Mas, em coisas não essenciais à salvação, erram, e erram frequentemente" (Sermão 40, parte 1, ponto 4). Os que alcançaram a perfeição não possuem a interpretação correta de todas as passagens das Escrituras e não estão livres de fraquezas não morais como morosidade de entendimento, obtsusidade ou confusão de compreensão, incoerência de pensamento e afins (Sermão 40, parte 1, ponto 7). Muito menos há uma libertação das tentações.

Sobre o que é perfeição cristã, Wesley aborda que os justificados têm o seu velho homem crucificado, seu corpo do pecado destruídos (Rm 6:6) e estão mortos para o pecado (Rm 6:11). Wesley enfatiza que temos que levar em conta seriamente esses versos. Efésios 4:13, Lucas 6:40, Fp 3:15 abordam que somos perfeitos. Jesus, em Mateus 5:48, ordena que sejamos perfeitos como o Pai é perfeito.

Sobre Mateus 11:11: " Em verdade vos digo que, entre os que de mulher têm nascido, não apareceu alguém maior do que João Batista; mas aquele que é o menor no reino dos céus é maior do que ele", Wesley entende que até João Batista, ou seja, até o surgimento da Graça, o menor cristão é maior que João Batista. Já, entre os judeus, João Batista foi o maior. Qualquer cristão que viva no período da Graça é maior que João Batista, o maior do período pré-Graça. 

Sobre Salomão ter escrito que não há homem que não peque (1 Re 8:46; 2 Cr 6:36), Wesley entende, como acima, que, no período da Lei, não havia homem que não pecasse, pois a Graça de Cristo não havia surgido na Terra. 

Sobre Paulo (no caso da discussão com Barnabé) e Pedro (no caso de sua dissimulação em Gálatas), não há indício escriturístico de que eles pecaram necessariamente. Eles pecaram, sem dúvida, mas não seguiram pecando, pois entrariam em contradição com João em 1 Jo 5:18. 

Wesley enfatiza que Cristo nos purifica de todo pecado, conforme 1 João 1:7. Logo, não há um pecado não purificado. Wesley enfatiza que "um cristão é perfeito ao ponto de não cometer pecado" (Sermão 40, parte 2, ponto 20).

Por fim, Wesley assevera que Jesus não teve e não tem pensamentos maus. Então, como Jesus mesmo disse que "todo que é perfeito é como seu Senhor" (Lc 6:40), 1. Somos perfeitos. 2. Somos como o Senhor, logo. 3. Não devemos ter pensamentos maus. 

Wesley, e todos os crentes na perfeição cristã, deleitam-se nesta doutrina porque nos estimula à santidade. Não há espaços para legalismos, pois Wesley e os wesleyanos seguem o princípio moral da santidade, e não o aspecto regimental de culturas.

Em Cristo,

Marlon Marques

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Graça Preveniente: Por Que Eu Sou um Metodista e Evangélico



Timothy Tennet
      Em primeiro lugar, eu sou um metodista porque acredito na graça preveniente. Para Wesley, a vida espiritual não tem esperança de um começo sem ação prévia de Deus em favor do pecador. A graça preveniente é um termo coletivo para todos os modos pelos quais a graça de Deus entra em nossa vida antes da conversão. A graça preveniente significa, literalmente, "a graça que vem antes" e capta bem o que a igreja primitiva chamou de evangelica preparatio , ou seja, a preparação para a boa notícia. Uma das maneiras em que a tradição Metodista Wesleyana por vezes é mal compreendida por pessoas de outras tradições é em relação a nossa doutrina do pecado. Pode vir como uma surpresa para alguns de nossos leitores reformados que a doutrina da depravação total (o famoso T no calvinista TULIP) é compartilhada por wesleyanos e metodistas tão ardentemente como por calvinistas. Metodistas, como nossos irmãos e irmãs reformadas, acreditam que a salvação é impossível sem um ato livre e antes de Deus em favor do pecador. Depravação total significa que estamos mortos em nossos pecados e, portanto, não podemos nos ajudar ou nos assistir a nós mesmos. O pecado não é meramente uma "bola de corrente" que impede o nosso progresso. Estamos mortos em nossos delitos e pecados (Efésios 2:5). Metodistas afirmam esta verdade. No entanto, metodistas levam muito a sério a tensão teológica que existe entre, por um lado, o ensino claro da Escritura que estamos mortos em nossos pecados e totalmente desprovido de qualquer capacidade de nos salvar (Ef 2:1, Col 1: 21, 2:13; Lc 15:24) e a chamada universal do Evangelho que nos obriga a "vir" (Mateus 11:28), "arrepender" (Atos 02:38), "acreditar" (Atos 16 : 31) e toda uma série de outros comandos. Todos que nos chamam a atos específicos de fé e obediência. Como as pessoas espiritualmente mortas não têm capacidade de resposta, é claro que Deus está concedendo a graça de inúmeras formas em nossas vidas antes de nossa regeneração ou conversão. A graça preveniente fornece a ligação entre a depravação humana e o chamado universal. A diferença importante entre metodistas e cristãos reformados não está no fato da depravação, mas sobre se qualquer ação prévia de Deus é limitada aos eleitos (Expiação Limitada - o L no TULIP) ou é universal. Apesar do enorme respeito que temos por João Calvino, metodistas não acreditam que a doutrina calvinista da expiação limitada se ajusta aos dados bíblicos tão bem como a doutrina da graça preveniente. Os metodistas acreditam que Deus universalmente agiu em nome da caída raça depravada de Adão. Nós acreditamos que Cristo, como o Segundo Adão, resgatou a raça humana com um ato de graça que lhes confere a capacidade de aceitar ou rejeitar a boa notícia do Evangelho, quando é proclamado. Wesleyanos acreditam que, se a doutrina da depravação humana não está ligada à ação de Deus na graça preveniente, ele cria um conflito teológico insustentável que, pelo menos potencialmente, faz com que Deus seja injusto ou o autor do mal, nem de que se encaixa com uma visão bíblica de Deus. Pois, se uma pessoa espiritualmente morta é incapaz de responder ao chamado de Deus, então, com que base é que ele ou ela responsabilizado pelo pecado? A graça preveniente demonstra como podemos ser totalmente depravado, mas dada a graça de responder e, se não responder, pode ser plenamente responsabilizados por nossa descrença.
      Para metodistas, a graça preveniente é a ponte entre a depravação humana e o livre exercício da vontade humana. A graça preveniente levanta a raça humana para fora da sua depravação e nos concede a capacidade de responder mais à graça de Deus. Jesus declarou que "ninguém pode vir a mim se o Pai que me enviou não o trouxer" (João 6:44). Metodistas entendem este texto como referindo-se a um desenho divino enraizado no Deus Uno e Trino, que precede a nossa justificação. É ato de favor imerecido de Deus. É a luz de Deus " que ilumina todo o homem" (João 1: 9), elevando-nos e dando a raça humana a capacidade de exercer a nossa vontade e responder à graça de Cristo. Thomas Oden coloca muito bem quando ele diz que "a vontade divina sempre 'vem antes' ou 'pré-vem' (lidera o caminho) à vontade humana, de modo que a vontade humana pode escolher livremente de acordo com a vontade divina. "1
      O pensamento wesleyano afirma que Deus tomou a iniciativa de criar uma capacidade universal para a raça humana receber sua graça. Muitos, é claro, ainda resistem à sua vontade e persistem em rebelião contra Deus. O pensamento wesleyano é, na verdade, uma posição intermediária entre uma visão pelagiana (que faz de cada pessoa um Adão e não admite nenhuma natureza pecaminosa ou escravidão devido a natureza de Adão) e da visão reformada (que afirma expiação limitada). O que wesleyanos dizem com livre-arbítrio é realmente "vontade livre", ou seja, um testamento em cativeiro que foi libertado por um ato livre da graça de Deus. Naturalmente, não é livre em todos os aspectos possíveis, uma vez que são todos influenciados pelos efeitos da Queda de muitas maneiras, mas agora temos uma capacidade de restauração, o que permitiu nosso coração, mente e vontade de responder à graça de Deus. Eu amo o fato de que metodistas acreditam que mesmo que você vá até os confins da terra com o evangelho, você sempre vai achar que Deus precede você e, com efeito, "supera você lá!" Talvez a graça preveniente é resumida melhor pela famosa interrupção de um missionário que estava lecionando na África sobre como os missionários levaram o Evangelho à África. O crente africano interrompeu e disse: "Os missionários não levam o Evangelho a África. Deus trouxe os missionários para a África." Este comentário perspicaz muda a ênfase para a agência anterior de Deus e na grande missio Dei (missão de Deus), pela qual Deus é sempre o primeiro ator no grande drama da redenção. Wesleyanos abraçam plenamente a importância da decisão humana e o exercício da vontade. No entanto, isso não é possível sem uma ação prévia de Deus.
. 1 Thomas Oden, Teologia Sistemática vol, 2, A Palavra da Vida (Peabody, MA: Hendrickson Publishers, 2001), 189. Salvo disposição em contrário, este blog usa a Nova Versão Internacional.
Tradução: Marlon Marques
Fonte: http://timothytennent.com/2011/07/05/prevenient-grace-why-i-am-a-methodist-and-an-evangelical-part-2/